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 Morfologia das plantas

As formas da planta e das suas partes têm sido, ao longo do tempo, pistas indispensáveis para identificar espécies e criar chaves para discriminar plantas com alguma semelhança entre si.

Tópicos

     
 

Neste tópico apresento uma síntese da morfologia das plantas, esperando que reflicta, sempre que disponível, o conhecimento científico mais actualizado. Embora a ciência disponha, modernamente, de meios tecnológicos sofisticados para a identificação correcta, a morfologia continua a ser, através do reconhecimento visual, o único meio ao alcance do leigo e do trabalhador da terra.

 
     
  • Hábito

O hábito, o ciclo de crescimento estacional, a persistência da folhagem e o tipo fisionómico.

  • Tecidos vegetais:

Tipos de tecidos, sua formação e funções. Meristemas.

  • Raiz

Compete às raízes a ancoragem no solo e a absorção de água e de nutrientes. Também lhes estão associadas outras funções como o armazenamento e a condução.

  • Caule: 

O papel do caule é suportar as folhas e conter o sistema vascular de transporte da água e dos nutrientes.

  • Folha: 

As folhas estão inseridas nos ramos e a sua função é a produção de alimentos e as trocas gasosas.

  • Flor: 

A função da flor é a reprodução sexual. É geralmente a parte mais vistosa da planta e o seu odor e a sua cor servem para atrair os polinizadores.

  • Fruto: 

O fruto é o ovário maduro e contém as sementes. Cabe-lhe o papel de proteger as sementes até estas estarem prontas para se dispersarem.

     
 

Advertência:

Este tópico está redigido para um leitor médio. Leitores mais exigentes e cientificamente instruídos irão, certamente, encontrar incorrecções, falta de fundamentação e mistura de ciência com mitos populares. Estes que me desculpem! Fiquem certos que estarei sempre disponível para aceitar e integrar todos os contributos fundamentados. Leitores com menos instrução literária e escassos conhecimentos científicos, acharão os textos uma seca e a terminologia demasiado sibilina. Estes que me perdoem! Aconselho-os a passearem-se pelas fotografias do inventário e a apreciarem a diversidade das plantas com flores. 

 
     

Hábito

 

Hábito

O hábito refere-se à forma geral de uma planta, tendo em conta factores como a duração do caule, o padrão de ramificação, o desenvolvimento e a textura.

  • Uma erva é uma planta em que todos os caules e folhas acima da superfície do solo morrem no fim de uma estação de crescimento. Ainda que os caules possam ser anuais, a planta propriamente dita pode ser anual, bienal, ou perene, na medida em que podem sobreviver abrigados no solo alguns componentes vivos, como rizomas ou bolbos.
  • Uma trepadeira é uma planta com caules alongados e débeis, geralmente sustentados por um substrato pelo qual trepam ou ao qual se enrolam, quer seja por meio de gavinhas, ou porque se agarram pelas raízes. As trepadeiras podem ser anuais ou perenes, herbáceas ou lenhosas.
  • Uma liana é uma trepadeira perene e lenhosa.
  • Um arbusto é uma planta lenhosa e perene com muitos caules principais que nascem à altura do solo.
  • Uma árvore é uma planta lenhosa, geralmente alta e perene, com um caule principal (o tronco) que nasce à altura do solo.

Ciclo de crescimento estacional

  • Plantas anuais: Todo o ciclo de crescimento (desde a germinação da semente até à produção de novas sementes) ocorre numa única estação durante umas quantas semanas. As novas sementes mantêm-se em dormência até à estação seguinte. 
  • Plantas bienais: Atravessam duas estações de crescimento. A primeira termina com a formação de raiz, caule curto e de uma roseta de folhas junto à superfície do solo. A floração, a frutificação e a formação de semente ocorrem na segunda que termina com a sua morte do vegetal.
  • Plantas perenes: São plantas cujas estruturas vegetativas vivem mais do que dois anos, geralmente muitos. A maioria são lenhosas, que sobrevivem acima do solo, levando muitos anos até  atingir a idade adulta em que podem florescer. Mas também há plantas perenes herbáceas que atravessam as estações desfavoráveis mediante raízes, rizomas, bulbos ou tubérculos, todos subterrâneos e dormentes. 

Quanto à persistência da folhagem uma planta pode ser:

  • caducifólia, decídua ou de folha caduca: planta que, em certa estação do ano, normalmente nos meses mais frios, sem chuva e com menor luminosidade, perde as suas folhas de modo a evitar a perda de água pela transpiração.
  • perenifólia, perene ou de folha persistente ou sempre-verdes (eng.: evergreen): Planta que mantém as suas folhas durante todo o ano e que apenas morrem após o envelhecimento, podendo cair em qualquer altura do ano.
  • marcescente: Planta que retem as folhas, que, quando secam, não se soltam do tronco, ficando penduradas na árvore durante toda a estação fria, cobrindo-a até à chegada da primavera, sendo, então, substituídas por novas folhas.

Tipo fisionómico (segundo Raunkier, mais tarde corrigido por Braun-Blanquet (1982), com base na posição das gemas de renovo):  ver em JBUTAD

 

Tecidos

 

Meristemas

As células meristemáticas (as células indiferenciadas do embrião) dividem-se, através de um processo chamado diferenciação, em células e tecidos diferenciados até se formar um indivíduo completo e adulto.

As plantas não param de crescer e desenvolver-se. Este crescimento irá ocorrer em locais determinados da planta chamados meristemas que, por conterem tecidos semelhantes aos embrionários, permitem a divisão, o alongamento e a diferenciação celular requeridos pelo crescimento e desenvolvimento da planta.

Há dois tipos de meristemas

  • Meristemas primários. Meristemas apicais ou terminais, envolvidos no crescimento longitudinal da planta:
    • Protoderme: dará origem ao sistema de revestimento
    • Meristema fundamental: dará origem ao sistema fundamental (colênquima, esclerênquima e parênquima)
    • Procâmbio: dará origem  aos tecidos vasculares ou sistema vascular (xilema e floema primários)
  • Meristemas secundários ou cambia (sing. cambium). Responsáveis pelo crescimento em espessura; Nas dicotiledoneas, células entre o xilema e o floema a partir de onde se dá o crescimento do caule; As células destes meristemas se dividem e com isso adicionam camadas e mais camadas às raízes e caules, aumentando o diâmetro do vegetal em duas regiões específicas: a região dos tecidos condutores e a região da casca.
    • Câmbio vascular 
    • Na região da casca, conhecido também como câmbio da casca, o felogénio produz um tecido chamado súber 

 Sistema fundamental ou de sustentação

  • Parênquimas: formados por células isodiamétricas e alongadas com vacúolos bem desenvolvidos e parede celular muito estreita que desempenham funções de fotosíntese e acumulação de reservas.
    • Parênquima clorofiliano: As células contêm numerosos cloroplastos. Abundante nas folhas a que dão a cor verde.
    • Parênquima de reserva: As células contêm abundantes reservas (glúcidos solúveis, grãos de amido, óleos). Abundantes nas raízes, rizomas, tubérculos, gãos.
    • Parênquima aquífero: Vacúolos de grandes dimensões ricos em água abundantes nas plantas suculentas.
  • Tecidos de suporte: Asseguram a solidez e a rigidez dos órgãos que os contêm.
    • Colênquima: de natureza celulósica, permitindo a sustentação e flexibilidade dos órgãos jovens em crescimento. Só ocorre nos órgãos aéreos onde o vento estimula a sua produção.
    • Esclerênquima: lenhificado e rígido, pois as suas células possuem um espessamento secundário nas paredes devido à impregnação de lignina.  Tem como função principal o suporte mecânico e ocorre em todos os órgãos da planta.

Sistema vascular

  • Tecidos condutores
    • Xilema: É constituído por células cilíndricas, alongadas e com numerosos poros chamadas traqueídeos. Quando maduras perdem o seu citoplasma tornando-se células mortas e funcionam como vasos condutores por onde sobe a água com sais minerais dissolvidos e hormonas (seiva bruta) desde a raíz até às folhas. O xilema secundário produzido em plantas perenes lenhosas é constituinte da madeira ou lenho. 
    • Floema: Por onde são transportados os produtos fotoassimilados e hormonas para toda a planta (seiva elaborada). A seiva elaborada transporta esses produtos para todas as partes da planta que deles necessitam, principalmente os que não realizam fotossíntese, como as raízes.

Sistema dérmico ou de revestimento

  • Tecidos protectores: tecidos impermeáveis.
    • Epiderme: Camada mais exterior das células à superfície do caule, constituída por células epidérmicas que recobrem os parênquimas dos órgãos aéreos, por estômatas, com uma abertura (ostíolo) e por pelos.
    • Periderme: Cortiça ou sobro, em ramos e troncos de árvores

  • Tecidos secretores: especializados na síntese de substâncias (essências, taninos, resinas, latex)

 

 

Raíz

As raízes são especializadas na fixação e absorção de água e sais minerais que são levadas às outras partes via xilema, no armazenamento (geralmente na forma de amidos) de substâncias orgânicas fotossintetizadas nas partes aéreas (geralmente açúcares) trazidas pelo floema. Também são responsáveis pela produção de determinadas hormonas vegetais.

 

  Monocotiledóneas     Dicotiledóneas
   
  • Com um número mais elevado de vasos de transporte, podendo chegar aos vinte e com parênquima medular – medula – a ocupar o centro da raiz.
   
  • Possuem número reduzido de feixes condutores, tipicamente surgem em número de dois a quatro, consoante a espécie e o centro da raiz raramente tem medula sendo ocupado pelo xilema.
 
  • Sem crescimento secundário
 
  • Com crescimento secundário.

Sistemas radiculares:

  • Sistema axial - Sistema radicular em que a raiz primária (axial ou pivotante) cresce em direcção ao solo, penetrando profundamente no solo, originando raízes secundárias, também chamadas raízes laterais. Há um equilíbrio entre a superfície total fotosintetizante (cpa) e a superfície total absorvente (raízes).
  • Sistema fasciculado - Sistema radicular em que a raiz primária tem geralmente vida curta e o sistema radicular se desenvolve a partir de raízes adventícias que se originam do caule e que penetram no solo a pouca profundidade agarrando-se às partículas deste.

Adaptações especiais das raízes nas epifitas.

Muitas adaptações especiais são encontradas entre as epífitas, plantas que crescem sobre outras plantas, sem parasitá-las.


Adaptações para armazenamento de alimento

Nas plantas bienais, como a cenoura, a batata doce ou a betarraba, as grandes reservas de alimento acumuladas na raiz durante o primeiro ano são utilizadas no segundo para produzir flores, frutos e sementes. As raízes especializam-se enquanto órgãos de armazenamento e tornam-se carnudas devido a grande quantidade de parênquima de reserva, onde se acha imerso o tecido vascular.

 

Caule

Os caules

 
Tecidos do Caule

Os seus principais tecidos são:

  • Epiderme - A epiderme é a camada celular mais externa do corpo primário da planta e constitui o sistema de tecido de revestimento  dos caules até o início do crescimento secundário, altura em que é substituída pela periderme.
  • Periderme - Nos caules que sofrem crescimento secundário, a epiderme é comumente substituída pela periderme, um tecido protetor secundário. A periderme é composta por três tecidos diferentes:
    • súber ou felema - um tecido de células mortas na maturação, espessadas com suberina, uma substância hidrofóbica, por vezes complementada com lenhina. 
    • felogene - o câmbio da casca
    • feloderme.
  • Cortex
  • Xilema - Massa de tubos que transporta água com os minerais dissolvidos das raízes até as folhas
  • Floema - Cadeias de células que carregam os produtos da fotossíntese saindo das folhas para o resto da planta.
  • Cambium

Partes do caule:
   

caule

 
  • Gomo terminal - localizados na extremidade do caule (meristema apical)
  • Gomo lateral (axilar) - localizado na axila duma folha; se crescer, formará um ramo.
  • Nó - área meristemática a que se liga as folhas e os gomos
  • Entrenó - região situada entre dois nós.

 

 

 

Gomo ou gema, ou em linguagem vulgar rebentobroto ou botão, consiste na formação inicial de um ramo formado por células meristemáticas. O caule principal alonga-se devido à actividade do gomo terminal. Certos gomos axilares desenvolvem-se dando origem aos caules secundários ou ramos, também terminados por um gomo terminal.

   
  Tipos de gomos de acordo com a localização:
 
  • terminais, quando localizados na extremidade do caule (reserva-se o termo apical para os que se localizam no topo da planta);
  • axilares, quando localizados na axila duma folha (lateral é um termo genérico que envolve também alguns gomos adventícios);
  • adventícios, quando se formam noutros lugares da planta, por exemplo nas raízes.
   
  Tipos de gomos de acordo com a função:
 
  • vegetativos - apenas contêm embriões de folhas;
  • reprodutivos - contêm os embriões que formarão uma flor;
  • mistos - contêm tanto embriões de folhas como de flores.

Tipos de caule
      • Herbáceos - Caules tenros, geralmente clorofilados, flexíveis, não lignificados. Apresentam uma espessura fraca, a cor verde e a leveza, características das ervas.
      • Sublenhosos - Caules lignificados apenas na região basal, mais velha, junto às raízes e tenros no ápice. Ocorrem em muitos subarbustos.
      • Lenhosos -  Caules intensamente lignificados, rígidos, geralmente de grande porte e com um considerávelaumento em diâmetro, Constituídos por tronco largo e ramos, espessos, acastanhados e rijos.

O porte das plantas:
      • Erecto
      • Suberecto - cresce fazendo um ângulo superior a 45°com o solo
      • Subprostrado - cresce fazendo um ângulo inferior a 45°com o solo
      • Prostrado – cresce alongado-se sobre o solo, podendo ser radicante
      • Ascendente - se primeiro cresce prostrado e depois se aproxima da vertical (eg. geniculado)
      • Decumbente - se primeiro cresce erecto e depois se aproxima do solo
      • Trepador – toma diversas direcções consoante os suportes que encontra (eg. volúvel)
      • Difuso – muito ramificado desde a base em todas as direcções

Modificações dos caules:

Caules aéreos:

      • Erectos: 
        • Tronco. Caule cónico lenhoso que engrossa com a idade, sem ramificações na parte basal. Esses caules são muito desenvolvidos e geralmente são ramificados na parte superior. O tronco pode ser visto em grandes árvores.
        • Haste. A haste caracteriza-se por ser mole e na maioria das vezes de cor verde. É muito comum encontrar esse tipo de caule em ervas como a couve.
        • Estipe.  O estipe não possui nenhuma ramificação, apresentando somente um aglomerado de folhas em sua parte superior. Esse caule é típico de plantas como as palmeiras.
        • Colmo. O colmo é muito semelhante ao estipe. O que os diferencia são as divisões em forma de gomos que o  colmo apresenta.  cana-de-açúcar, bambu.
      • Trepadores ou volúveis
        • Sarmento: O sarmento caracteriza-se por apresentar apenas um ponto de fixação da raiz, podendo encher-se  de ramos ou folhas modificadas chamadas de gavinhas. Este tipo de caule consegue subir em suportes.
        • Volúvel
      • Rastejantes: 
        • Estolho (stolon): O estolho é um caule horizontal, carnudo ou semi-lenhoso, que cresce à superfície do solo. Em intervalos sucessivos forma gemas com raízes e folhas, permitindo a propagação vegetativa da espécie. Exemplos de plantas com estolhos: morangueiro, hortelã, grama, melancia, abóbora
 
Caules subterrâneos. Certos caules, muitas vezes subterrâneos, podem hipertrofiar e acumular substâncias de reserva.
        • Rizoma (rhizome).  É um órgão de armazenamento e um meio de propagação semelhante ao estolho, mas cresce no subsolo e apresenta gemas laterais. É constituído por um eixo esbranquiçado, horizontal, pouco ramificado, com cicatrizes foliares e raízes adventícias. O gomo terminal forma a parte elevada do tronco com folhas bem desenvolvidas e com inflorescências. Esta última é a parte anual, enquanto que a parte rizomática é vivaz. Exemplos de plantas com rizomas: iris, gengibre, cana.
        • Tubérculo(tuber). Geralmente subterrâneo, é formado pela hipertrofia de uma parte do caule (tubérculos caulinares, como a batata), de uma parte da raíz(tubérculos radiculares, como a dália) ou de uma parte do hipocólito (parte da região superior da raíz, como o rabanete, a cenoura, a betarraba). Os gomos axilares desenvolvem-se em caules subterrâneos em cuja extremidade se formam numerosos tubérculos.
        • Bolbo(bulb). Consiste num caule, curto e erecto, a partir do qual se desenvolvem folhas suculentas contendo reservas de alimentos. 
          • Bolbos tunicados: cebola;
          • Bolbos compostos ou bulbilhos: alho,  túlipa, lírio, narciso
        • Cormo (corm). Curto, erecto, mas com folhas escamosas reduzidas: gladíolo, banana, crocus, freesia
 
Caules aquáticos
 
Outras adaptações:
 
      • Gavinha (tendril). As gavinhas podem ter origem em qualquer órgão aéreo da planta, normalmente ramos ou folhas modificadas, e, inclusive flores. Suas funções são ajudar na fixação da planta e no crescimento.
      • Cladódios. São verdes e na maioria das vezes achatados. Adaptados à realização da fotossíntese e geralmente ao armazenamento de água. Esses caules são típicos de climas secos, como nos cactos.
      • Espinhos. Os vegetais que possuem aquele tipo de caule perderam suas folhas durante sua evolução, transformando-as em espinhos para evitar a perda de água para o ambiente. São distintos dos acúleos que são projecções da epiderme.
      • Xilopódio.

 

Folha

Partes da folha:

  • limbo - a lâmina foliar, a parte larga e achatada,
  • margem- a borda do limbo,
  • pecíolo - estrutura que liga o limbo ao caule,
  • nervuras - prolongamentos do sistema vascular, contêm os feixes condutores e os tecidos que os suportam.
  • bainha - Estrutura que liga a folha ao caule.

folha

   

Monocotiledóneas


  • As nervuras do limbo são paralelas entre si e apresentam mais ou menos o mesmo desenvolvimento.

Dicotiledóneas


  • As nervuras do limbo ramificam-se

Fitotaxia (padrão da disposição das folhas ao longo do caule):
  • fasciculada - mais do que uma folha inserida no mesmo ponto do caule,
  • alternas -  uma só folha em cada nó. Podem ser:
    • dísticas (as folhas ocorrem em duas fileiras num único plano),
    • espiraladas (as folhas encontram-se dispostas em mais de um plano, normalmente formando uma espiral) ou
    • rosuladas (caso especial de alternas espiraladas, quando o caule é muito curto, ou quando o trecho provido de folhas é muito comprimido, fazendo com que a folhagem adquira um aspecto como o das pétalas de uma rosa).
  • opostas -  duas folhas no mesmo nó inseridas em lados opostos. Podem ser:
    • dísticas ou
    • cruzadas.
  • verticiladas - três ou mais folhas inseridas no mesmo nó.

Forma:
  • arredondada ou sub-circular;
  • obovada (quando a parte mais estreita da lâmina foliar se encontra perto do pecíolo ou da bainha);
  • ovada (quando a parte mais larga se encontra perto do pecíolo ou da bainha);
  • lanceolada - em forma de lança;
  • acicular - em forma de agulha;
  • alongada - como as folhas das gramíneas.

Margem do limbo
  • Inteira: com margem normal;
  • Ciliada: com pequenos cílios;
  • Dentada: com cortes pequenos;
  • Crenada: com pequenas elevações arredondadas(lombadas) em vez de cortes;
  • Serrada: com cortes maiores que a dentada, lembrando a base de um serrote;
  • Lobada: com divisões ovais;
  • Partida: com a base cheia de divisões;

Bolbos

São constituídos, ou por um pequeno caule com folhas, ou por amontoados de folhas, que contêm substâncias de reserva. Cebola, alho, lírio, jacinto.

Flor

Partes da flor:
  • Receptáculo - Suporte das outras partes da flor.
  • Sépalas - Linha de folhas que encerram a flor imatura. O seu conjunto forma o cálice.
  • Pétalas - Folhas modificadas coloridas que podem atrair insectos para polinização. O seu conjunto forma a corola.
  • Estames - Órgãos reprodutivos masculinos, composto por filamento, antera e pólen.
  • Carpelos - Órgãos reprodutivos femininos, composto por ovário, estilete e estigma.
flor 1

 

 

  Monocotiledóneas     Dicotiledóneas
   
  • As partes são geralmente em três ou múltiplos de três
   
  • As partes são geralmente em quatros ou cincos

Flores agrupadas em inflorescências:

 

  • Inflorescência Racemosa, Monopodial ou Indefinida (O eixo principal cresce mais que os ramos laterais e termina com uma gema, pelo que apresenta, potencialmente, um crescimento indeterminado.):
   
  inflorescencia
       
 

Racemosas simples:

 

Racemo ou Cacho

 

Corimbo

  Flores pediceladas (flores que possuem uma haste própria e curta, o pedicelo) dispostas num único eixo e localizadas em posições diferentes do ramo principal (pedúnculo) (Convallaria majalis)   Tipo especial de racemo, no qual as flores pediceladas estão inseridas em diferentes alturas no eixo principal, mas que atingem todas, uma mesma altura 
 

Espiga

 

Espádice

  (Eng.: spike). Semelhante ao corimbo, mas com flores sésseis saindo em toda a extensão do eixo principal (Plantago sp).   Tipo especial de espiga com o eixo principal espesso, protegido na base por uma bráctea vistosa e bem desenvolvida, denominada espata
 

Capítulo ou Pseudanto

 

Umbela

  Espiga com eixo curto, espessado ou achatado formando um receptáculo. As flores são sésseis, protegidas por brácteas e densamente dispostas na mesma altura.  (Bellis perennis)   Flores pediceladas inseridas numa mesma altura do eixo principal, único e curto. Pode ser simples (Prunus cerasus) ou composta .
       
  Racemosas compostas:
 

Panícula

 

Umbela de umbelas

   panicula    umbela umbelas
  É um racemo composto (flores dispostas em vários eixos), onde um eixo racemoso principal sustenta dois ou mais eixos racemosos laterais, no qual as partes, bem como o conjunto, são racemos. (Avena sp)   As flores estão dispostas em vários eixos e as partes, bem como, o todo são umbelas  (Daucus sp).
       
       
  • Inflorescência Cimosa, Simpodial ou Definida (Cada eixo termina numa flor, a partir da qual se forma um novo ramo com outra flor apical, e assim sucessivamente.):
   cimosas
       
 

Uníparas ou Monocásio

 

Ripídio

 

Flores em que se desenvolve uma gema de cada vez; cada flor é formada por uma gema diferente. Pode ser cimeira simples (Iris sp), bóstrix (Hypericum sp), drepânio (Juncus bufonius), cíncino (Strelitzia reginae) ou ripídio (Iris sp).

  As flores e os pedicelos formam um leque saindo de lados alternados, porém no mesmo plano do eixo.
 

Bíparas ou dicásio

 

Multíparas ou pleiocásio

  Flores em que se desenvolvem duas gemas de cada vez. Estas ultrapassam o eixo que as formam e deixa de crescer, terminando numa flor. Podem ser simples ou compostas.   Flores em que se desenvolvem mais de duas gemas de cada vez. 
 
  • Tipos especiais de inflorescências:
 

Espigueta

 

Ciátio (Pseudanto)

  Unidade básica de inflorescência característica da família Poaceae, consistindo numa espiga muito reduzida, envolvida por várias brácteas muito modificadas densamente dispostas.   Característico em algumas espécies de Euphorbiaceae, consiste numa inflorescência formada por um invólucro de brácteas, que geralmente apresenta um ou mais nectários bem evidentes, que envolve um conjunto de pequenas flores estaminadas aclamídeas, rodeando uma flor pistilada central aclamídea.
 

Sicónio

   Mistas
  Inflorescência carnosa com receptáculo côncavo. Possui numerosas e pequenas flores encerradas na concavidade, havendo apenas uma estreita abertura no ápice  

Amentilho - Espiga alongada, pendente, deiscente, de flores unissexuadas, nuas ou com perianto sepalóide, geralmente bracteadas. (Coryllus avellana)

Tirso - Inflorescência compacta com o eixo principal indeterminado, os secundários, determinados ou não (quando são cimeiras), são longos inferiormente tornando-se rapidamente curtos em direcção ao ápice o que confere a forma de losango; panícula compacta e ± composta. (Aesculus hippocatanum)

Verticilastro - Falso verticilo constituído por um par de cimeiras ± contraídas inseridas na axila de brácteas opostas (Mentha sp).

Fruto

FRUTOS

Estrutura básica:

O fruto, que ocorre exclusivamente nas angiospérmicas, garantindo a protecção e auxiliando na dispersão das sementes, é formado de pericarpo e semente. O pericarpo origina-se da parede do ovário da flor, que se desenvolve após a fecundação, e apresenta três partes: 

  • Epicarpo: camada mais externa, oriunda da epiderme da folha carpelar. Normalmente, é membranácea e muito fibrosa.
  • Mesocarpo: camada intermediária (entre o epicarpo e o endocarpo), oriunda dos parênquimas da folha carpelar. Em geral, é a parte do fruto que mais se desenvolve, sintetizando e acumulando substâncias nutritivas, principalmente açúcares.
  • Endocarpo: camada mais interna, oriunda da epiderme interna do ovário. Geralmente mais rígida, envolve a semente. 

Alguns frutos (banana, abacaxi) podem formar-se sem fecundação prévia e portanto, nesse caso, não possuem sementes. São chamados frutos partenocárpicos.

 
Tipos de frutos

Simples: um ou vários carpelos unidos.

  • Carnosos - Frutos com pericarpo relativamente macio e suculento.
    • Baga (tomate, uva, laranja, mamão, abóbora, melancia, groselha, mirtilo, oxicoco) - Na baga a parede do ovário inteiro amadurece em um pericarpo comestível. As flores dessas plantas têm um ovário superior e ele tem um ou vários gineceus dentro de uma cobertura fina e interiores muito carnudos. As sementes são embutidas na carne comum do ovário. O pericarpo da baga, normalmente comestível, é composto do exterior para o interior por um epicarpo muito fino, um mesocarpo carnoso (chamado sarcocarpo) e de um endocarpo carnoso, o que a diferencia da drupa, na qual o endocarpo é lenhoso.
    • Drupa (pêssego, ameixa, noz, azeitona, abacate, manga) - Fruto carnoso indeiscente cuja parte exterior carnuda (o exocarpo, a pele, e o mesocarpo, a carne) envolve um caroço lenhoso que contém uma semente que adere ao endocarpo de maneira que só pode ser separada mecanicamente.
    • Pomo (rosapera, maçã, marmelo, nêspera) - 
  • Secos
    • Deiscentes - que abrem na maturidade
      • Folículo (magnólia) - Fruto derivado de um ovário unicarpelar, um único pistilo que se abre numa linha de deiscência (fenda) longitudinal.
      • Legume (ervilha e a maioria das fabaceae) - Fruto derivado de um ovário unicarpelar, um único pistilo que se abre em duas fendas longitudinais, a da sutura do carpelo e a da nervura mediana da folha carpelar.
      • Síliqua: (característico das brassicaceae) - Fruto derivado de ovário bicarpelar, cujo pericarpo seco separa-se em 2 valvas laterais deixando um eixo central (replum), ao qual ficam presas as sementes.
      • Cápsula (papoila) - Fruto derivado de um ovário bi a multicarpelar, gineceu sincárpico com dois a muitos carpelos fundidos que secam na maturidade e apresentam vários modos de abertura.
    • Indeiscentes
      • Aquénio (dente-de-leão) - possui 1 semente, ligada à parede do fruto num único ponto, mas não apresenta cálice modificado em papus.
      • Cipsela (compositae) - possui 1 semente, ligada à parede do fruto num único ponto, e apresenta cálice modificado em papus.
      • Sâmara (ulmeiro, freixo, sapindaceaemalpighiaceae) - Fruto alado e que apresenta normalmente uma semente.
      • Cariopse ou grão (típico das poaceae: milho, arroz, trigo) - possui 1 semente bem fusionada ao pericarpo em toda a sua extensão.
      • Noz (avelã, bolota, noz-moscada) - Com parede espessa e 1 semente livre do endocarpo.

Agregado: Fruto com origem numa flor que apresenta vários carpelos ou pistilos separados e libres (apocárpicos), cada um dos quais desenvolverá uma estrutura independente dentro da mesma flor. Tipos:

  • Poliaquénio (morango)
  • Polibaga (anona)
  • Polifolículo (magnólia grandiflora)
  • Polidrupa (framboesa, amora silvestre)
  • Polisâmara
Composto: (abacaxi) - Consistemem vários ovários amadurecidos, de muitas flores de uma inflorescência, que concrescem (fundem), mais ou menos, juntos formando uma unidade, denominada infrutescência ou fruto múltiplo

 

Sementes

SEMENTES

Dispersão dos frutos e sementes
  • anemocórica - por acção do vento (também dispersão por anemofilia ou anemogamia) : Os frutos são secos e deiscentes, com sementes pequenas e leves, normalmente apresentando estruturas aerodinâmicas que auxiliam o vôo
  • barocórica - por gravidade
  • hidrocórica - através da água: frutos com boa capacidade de flutuação e durabilidade no meio aquático.
  • zoocórica - através de pássaros ou mamíferos: frutos carnosos com marcas claras de amadurecimento (em que predomina a cor vermelha)

Tipos de sementes

  • RECALCITRANTES. São as sementes em que a simples absorção da água estimula o processo de germinação.
  • DORMENTES. São as que necessitam de outras condições para que possam embeber, por exemplo, atrito ou ácidos para romper casca muito dura. Para que essas sementes germinem é necessária a quebra de sua dormência:

  • QUIESCENTES. São as que só germinam após receber certas quantidades de luz e essa quantidade pode variar bastante de planta para planta. Possuem alta longevidade, pois, por ter menor teor de água, têm metabolismo baixo e assim sobrevivem mais tempo. São sementes pequenas com endosperma pouco desenvolvido, necessitando, assim de luminosidade para se desenvolver, o que costuma ser freqüente nas clareiras de florestas tropicais. 

Fontes

referências:

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